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Fashion

Indústria da Moda, bonita por fora, feia por dentro

O conceito de fast fashion ou “moda rápida”, em português, surgiu na década de 1990, com o barateamento da mão de obra e da matéria-prima na indústria têxtil.

Modar é um verbo que não existe, mas poderia ser utilizado para se referir à moda, já que esse setor da indústria é um dos mais importantes e lucrativos mundo afora, gerador de muita riqueza e emprego, contudo causa grande impacto ambiental e pode oferecer péssimas condições de trabalho. No ranking das 200 pessoas mais ricas do mundo no ano de 2021, de acordo com a Forbes, pelo menos 24 delas são do setor da moda, o qual, segundo a mesma revista, ao lado do varejo, é o quarto setor mais lucrativo a nível mundial. Por outro lado, a moda é o segundo setor da indústria que mais polui, ficando apenas atrás do petróleo, conforme reportagem da BBC. Além disso, estima-se que a indústria da moda seja o segundo maior consumidor de água do planeta, consoante à Global Fashion Agenda – 1,5 trilhão de litros por ano.

A infame Fast Fashion

Antes da Revolução Industrial, confeccionar peças de roupas era caro, demorado, era necessário ter acesso aos materiais e saber manipulá-los, portanto, as peças fabricadas possuíam grande durabilidade. A partir de 1790, quando a Revolução Industrial começou a acontecer, máquinas de costura surgiram possibilitando maior produção com menor custo e mais rapidez. Mais recentemente, na década de 1990, implantava-se o conceito de Fast Fashion ou Moda Rápida, em português. Isso possibilitou uma indústria ainda mais barata e rápida e grandes redes internacionais como a Zara e a H&M apostaram em peças mais acessíveis semelhantes àquelas de alta costura, porém elas possuíam vida útil muito mais curta e, logicamente, eram descartadas com muita brevidade.

Com o passar dos anos, a Fast Fashion se tornou muito popular no mundo todo, inclusive em nosso país, onde redes como a Renner e Riachuelo trabalham com o conceito, assim como várias marcas estrangeiras que atuam em nosso mercado interno. Você que ainda não consome produtos destas lojas, tente fazê-lo e irá comprovar o infame conceito de Moda Rápida, ou pergunte às pessoas que já frequentam tais redes e elas lhe confirmarão. Caso não conheça ninguém que compre nestas redes e nem você consuma delas, entre em contato conosco que lhe contaremos sobre as nossas experiências.

A indústria que assusta

Se você veste calças ou malhas de poliéster, por exemplo, fique sabendo que a fibra sintética mais usada na indústria têxtil em todo o mundo não apenas requer, segundo especialistas, 70 milhões de barris de petróleo todos os anos, como demora mais de 200 anos para se decompor. A viscose, outra fibra artificial, mas feita de celulose, exige a derrubada de 70 milhões de árvores todos os anos. E, apesar de natural, o algodão é a uma fibra cujo cultivo é o que mais demanda o uso de substâncias tóxicas em sua produção no mundo – 24% de todos os inseticidas e 11% de todos os pesticidas, com óbvios impactos no solo e na água. Nem mesmo o algodão orgânico escapa: uma simples camiseta necessita de mais de 2.700 litros de água para ser confeccionada, de acordo com a mesma supracitada reportagem da BBC.

Às compras

Ao visitar uma rede de Moda Rápida, você se impressionará com o valor insignificante pelo qual muitas peças são vendidas. Camisetas podem custar o equivalente a R$ 10,00, um par de calçados a R$ 20,00 ou 25,00, para citar alguns exemplos. Os preços são exorbitantemente baixos e além disso, muitas peças possuem defeitos ou não se ajustam ao corpo de maneira adequada, mas estão à venda. Ao olhar as etiquetas, você perceberá que grande parte dessas peças são produzidas em países asiáticos como Bangladexe ou Índia e, no Leste Europeu ou Região dos Balcãs, devido ao baixo custo da mão-de-obra.  Segundo a Harvard Business School, uma peça de roupa que usamos menos de 5 vezes e jogamos fora após 1 mês, produz 400% a mais de emissões de carbono que uma usada 50 vezes e mantida por 1 ano.

As péssimas condições de trabalho

O anseio para se estar na moda é um grande responsável, aliado à Fast Fashion, pela troca exagerada de peças de roupas, descartando-as em poucos meses, acreditando-se que é preciso renovar o guarda-roupas frequentemente. Para isso, constantemente, um assunto que assombra a indústria da moda é o trabalho em condições análogas à escravidão, fato ocorrido muitas vezes em várias empresas de renome. Segundo matéria do site Brasil de Fato de maio deste ano, no Brasil, mais de 1 milhão de mulheres são “violentadas” pela indústria da moda, trabalhando exaustivamente e não contribuindo com a previdência. Ademais, outro triste exemplo, conforme reportagem de outro site, o Repórter Brasil, auditores fiscais do trabalho flagraram, em setembro de 2017, imigrantes bolivianos que recebiam uma média de R$ 5 por peça fabricada, as quais eram vendidas por até R$ 698 nas lojas da Animale. Os costureiros subcontratados trabalhavam mais de doze horas por dia no mesmo local onde, também, dormiam, dividindo o espaço com baratas e instalações elétricas que ofereciam risco de incêndio, afirma a reportagem. Outras grandes marcas já foram autuadas pelas péssimas condições de trabalho, como a Zara, M. Officer, Brooksfield Donna, Renner, Marisa, Pernambucanas, entre outras.

A reposta à Fast Fashion

O consumo de roupas consciente ajuda a preservar o meio-ambiente e pode transformar a sua relação com a moda, tornando-a apenas sua aliada. Conforme uma pesquisa da Energy Saving Trust, a lavagem é responsável por 60-80% do impacto ambiental total de uma roupa. Além disso, a lavagem recorrente reduz o tempo de vida útil das peças. Ademais, existem várias outras maneiras de adotar ideias de consumo sustentável em sua vida, entre elas, comprar em brechós, onde você encontra muitas peças em boas condições de uso e preço mais baixo; organizar seu guarda-roupas regularmente, assim você lembra de utilizar todas as peças e aquelas que não usa, pode doar ou vender; priorizar peças de longa duração, pois isso combate diretamente a Moda Rápida; também é recomendável deixar que as roupas sequem naturalmente, para economizar energia; entre outras possibilidades.

“Compre menos, escolha bem e faça você mesmo! ” – Vivienne Westwood, designer de moda e ativista

Cássio FT Rogalski, Jornalista Especialista em Relações Internacionais e Diplomacia

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Cassio Felipe Tartas Rogalski

Sou formado em Letras e Jornalismo com especialização em Relações Internacionais e Diplomacia. Professor, jornalista, autor, colunista e analista de Relações Internacionais. Sou apaixonado por línguas, filosofia, escrita, livros em geral, música, viagens e café.

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