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As mulheres pelo mundo no 8 de março

As mulheres têm um papel inquestionável na sociedade por várias razões, porém, duas óbvias são o fato de que sem elas não se pode gerar vida e que poucos são os homens que tem capacidade de criar os filhos. Isso já seria o suficiente para que elas fossem valorizadas e tivessem o mesmo salário que os homens, por exemplo. Contudo, elas ainda continuam na luta pelo seu lugar ao sol, o qual, felizmente, muitas já têm conquistado, com muito esforço. Por outro lado, em muitas sociedades mundo afora, elas enfrentam muitas barreiras que são, basicamente, todas relacionadas ao machismo.

Segundo a ONU, 70% dos trabalhadores de saúde no mundo são mulheres; as mulheres fazem três vezes mais trabalho não remunerado de prestação de cuidados do que os homens. No ritmo atual, a igualdade de gênero nos cargos mais altos do poder levará 130 anos; nas Nações Unidas, metade de todos os funcionários de alto nível são mulheres.

Neste 8 de março de 2022, reforçamos aqui que as mulheres são parte da sociedade tanto quanto os homens e merecem respeito, o qual deveria ser natural, mas infelizmente, na maioria dos casos, ele precisa ser imposto. É importante lembra que a mulher não precisa provar nada para ninguém, pois ser mulher já é o suficiente para provar o seu valor na sociedade atual.

Roda de Cuia, deu uma rápida volta por alguns países para receber uma fala ou mensagem sobre o papel da mulher em algumas sociedades. Fizemos a seguinte pergunta às mulheres: Como é ser mulher no/na …? Ou qual é o papel da mulher na sociedade no/na…?

Obtivemos respostas interessantes de cinco países: Japão, Turquia, Belarus, Venezuela e Brasil. Logicamente que todas as respostas foram traduzidas para a nossa língua!

O papel das mulheres na vida empresarial está aumentando a cada dia na Turquia.

Didem Oguz, Gerente de Recursos Humanos – Istambul, Turquia

A importância das habilidades gerenciais, foco, comunicação e empatia das mulheres trabalhadoras para o sucesso na vida empresarial é sustentada pelo número crescente de funcionárias e gerentes a cada ano. Eu sei que muitas mulheres de sucesso trabalham como profissional no meu país.

Eu me considero sortuda. Estou trabalhando como gerente de RH e também na minha família e ao meu redor os homens são muito compreensivos, gentis e atenciosos com as mulheres.

Como mulheres, somos muito fortes tanto na vida privada quanto na vida empresarial, e continuaremos a usar esse poder para fazer coisas úteis ao nosso país.

Desejo um futuro onde as mulheres sejam apoiadas em todo o mundo.

De Caracas, Venezuela, a mensagem vem da economista Adriana Rojas

Ser mulher na Venezuela nestes tempos significa superar obstáculos e ser resiliente. As meninas e adolescentes encontram-se com um sistema educacional deteriorado, quase nulo para os setores de baixa renda. Muitas moram com os avós ou outros parentes porque seus pais deixaram a Venezuela em busca de melhores oportunidades de vida. Para as jovens que não chegam ao ensino superior, a prioridade é encontrar um emprego que lhes permita ajudar economicamente em suas casas com a esperança de um dia alcançar a independência. Para aqueles que conseguem obter um diploma universitário, o desafio é encontrar um emprego que esteja relacionado à sua profissão e que seu salário seja justo, muitos decidem emigrar para outros países para realizar seus sonhos na esperança de poder voltar ao seu país em breve. Para quem é mãe, significa ser a chefe da família, encontrar uma forma de sustentar os filhos e dar-lhes o melhor que podem, são mulheres que têm dois empregos ou têm um emprego formal e também se dedicam a outras atividades ; como vender bolos, comida, fazer arranjos de costura, para conseguir mais dinheiro.

Adriana Rojas, economista

Para as mulheres idosas, a situação atual gera incerteza e angústia, muitas continuam a trabalhar apesar de terem ultrapassado a idade da reforma, pois o valor que recebem da pensão do Estado não lhes permite cobrir as suas despesas básicas e muito menos comprar os medicamentos que elas podem precisar. Algumas têm “sorte” de ter filhos que moram no exterior, que lhes enviam remessas mensais para cobrir suas necessidades.

De Campinas do Sul, Brasil, temos uma mensagem diferente, por meio da música “Descontruindo Amélia” da cantora Pitty, que nos foi enviada por Cintia Maria Iazuski. Veja parte da letra abaixo e assista ao clipe.

Cintia Maria Iasuski, Bancária aposentada e professora

Já é tarde, tudo está certo
Cada coisa posta em seu lugar
Filho dorme, ela arruma o uniforme
Tudo pronto pra quando despertar

O ensejo a fez tão prendada
Ela foi educada pra cuidar e servir
De costume, esquecia-se dela
Sempre a última a sair

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar (Uhu!)
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa, assume o jogo
Faz questão de se cuidar (Uhu!)
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também

Do outro lado do mundo, mais precisamente de Tóquio, Japão, Momoko Narita, dona de casa, nos envia uma mensagem sincera e com esperança. (Momoko preferiu não enviar sua foto)

Diz-se que as mulheres japonesas são as pessoas mais privadas de sono do mundo. Nós mulheres trabalhamos muito, cuidamos dos filhos, preparamos pratos elaborados, limpamos a casa, entre muitas outras coisas, com a pequena ajuda do marido. Comparando com os homens de outros países, os homens japoneses não cooperam com suas esposas. Mas eles estão mudando, então espero que a situação das mulheres japonesas mude melhor no futuro próximo.

De Belarus, país europeu governado por um ditador, Volha Yermalayeva Franco, representante da Embaixada Popular de Belarus no Brasil, que mora em Salvador atualmente, nos envia uma dura mensagem de como é difícil ser mulher naquele país.

Ser belarussa é sempre ser melhor aluna na escola do que alunos meninos, é sempre se dedicar. Desde pequena aprender a fazer tarefas de casa, diferentemente dos meninos, para depois ouvir que, em praticamente todas as áreas, os homens são melhores.

Ser mulher em Belarus é, na maioria dos casos, estudar na faculdade, porém para trabalhar em cargos “inferiores” e ganhar menos que os homens.

Volha Yermalayeva Franco, representante da Embaixada Popular de Belarus no Brasil. 

Ser belarussa é ouvir desde pequena “Quando que você vai casar? ”, “se você não lavar a louça direitinho, ninguém vai casar com você…” ‘Como se casar fosse um grande benefício’, argumenta Volha. É ser pressionada pela família para casar, no máximo, logo depois da faculdade, ter filhos, abandonar a carreira, porque você vai ter que cuidar dos filhos. É ficar de licença maternidade, mas muitas vezes tendo que trabalhar ao mesmo tempo.

Ser mulher em Belarus é ter a responsabilidade de organizar tudo na família. Acredita-se que a mulher tem que trabalhar, tanto fora de casa quanto dentro de casa, quando o filho completa dois ou três anos. Muitas vezes sem férias. “Se fosse fácil, homens faziam”, pontua Volha. É sempre tentar conciliar mais de um emprego com o trabalho de casa, pois um salário dificilmente será suficiente.

Ser belarussa é, após criar os filhos, ajudar os netos; arrumar um emprego, muitas vezes informal e pesado, como fazer faxina, o que não é fácil para uma mulher idosa… para comprar remédio, ajudar os filhos, os netos.

Ser mulher em Belarus é temer pelos seus filhos, que talvez estejam na guerra, não se sabe. É ser responsável pela saúde da família e a situação da pandemia negada pelo desgoverno atual, responsabiliza as mulheres de cuidar de suas famílias ainda mais.

Ser belarussa é ser protagonista dos protestos pacíficos, enquanto os homens, ou já foram presos ou estão com medo de sair. A mulher assume esta responsabilidade, pois ser mulher se remete à paz, portanto, eles – polícia – não vão bater em você, teoricamente, mas isso nem sempre acontece.

Ser mulher em Belarus é ser presa, torturada, ser jogada numa cela, na solitária e continuar seu protesto, não desistir. É defender seu marido, defender outras pessoas da agressão dos policias e ser julgada por isso. Ser mulher é, depois ouvir que, com protesto pacífico, vocês iam conseguir nada e não era para ter saído com flores e que isso tudo era ridículo.

Na sequência, mensagem do secretário-geral da ONU, António Guterres, para as mulheres

Texto, entrevista e tradução por Cássio Felipe Tartas Rogalski

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Cassio Felipe Tartas Rogalski

Sou formado em Letras e Jornalismo com especialização em Relações Internacionais e Diplomacia. Professor, jornalista, autor, colunista e analista de Relações Internacionais. Sou apaixonado por línguas, filosofia, escrita, livros em geral, música, viagens e café.

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